quinta-feira, 26 de junho de 2008
Revirando o outro blog achei o comentário de uma grande amiga sobre um post meu:
"Você é sim tudo o que disse e mais um monte de coisas que não diz. Você é um enigma e todos que te visitam tentam descobrir - cada um por motivos próprios. Mas eu tenho comigo que seu maior talento sempre vai ser o dom de se ocultar naquilo que escreve. Deixando aqueles que só te lêem iludidos com a idéia de que já podem ter alguma conclusão sobre quem você é".
Sabe, são essas coisas que fazem valer a pena. E inflam o ego, eu admito!
[por "Elfen Queen", às 15:50]
sábado, 31 de maio de 2008
A última valsa 
Era chegado o grande dia. Uma vida inteira esperando por aquele momento. Acordei tarde. Foi como se tivesse acordado de um período de hibernação que durara o inverno todo. Depois de despertar a alma pude me lembrar com clareza daquele compromisso e mal podia esperar pela grande noite que estava por vir. Era um dia escuro e chovia copiosamente. A água molhava os telhados dos casarões e a enxurrada lavava as ruas como se estivesse lavando a minha alma. Passei um bom tempo olhando para a chuva relembrando os momentos felizes que tivera até ali e tentando relevar as desgraças e desencontros de toda uma vida. De repente um som estridente fez-me despertar. Era o relógio anunciando a hora. Dezoito e quarenta e cinco, horário familiar para mim. A chuva havia cessado e levado consigo todas aquelas lembranças. Era hora de se preparar. A roupa estava em cima da cama, os sapatos logo abaixo. Todos os acessórios na penteadeira de madeira maciça esperavam para serem usados naquela bela recepção lá embaixo. Os convidados começavam a chegar e eu teria que estar bonita para aquele que seria o meu dia. Comecei a me vestir. Primeiro as roupas íntimas, depois o vestido branco de renda, lívido como a neve. Coloquei os sapatos e os acessórios ? um colar e um anel herdados da família. Estava pronta. Abri a porta e caminhei em direção à escadaria. O coração bateu forte quando avistei todos lá embaixo. Vieram para me ver. Desci as escadas lentamente de cabeça erguida, todos me olharam. Ao fim da escada havia alguém me esperando com o braço estendido. Era ele. Muitos anos se passaram, mas ele continuava como da última vez em que nos vimos. A emoção atingiu o ápice quando senti novamente sua mão se encontrando com a minha ao som daquela que seria nossa última valsa. O hall de entrada havia se tornado um pequeno salão de baile onde os convidados nos aplaudiam alegremente. A dança durou apenas alguns minutos, mas para mim foi como a eternidade. Tê-lo de novo comigo naquele dia tão especial foi um momento mágico. A música acabou e aquilo anunciava a chegada do grande momento. Soltei a mão do meu amor e percebi a discrepância do ambiente. Os convidados alegres do canto esquerdo da sala eram bem diferentes dos que estavam no canto direito. As vestes escuras desses últimos contrastavam com meu vestido alvo e puro e o choro contido de alguns era o único barulho do recinto. Fui me aproximando e sentindo o cheiro das flores. Quando consegui ultrapassar a barreira de convidados, aproximei-me do ataúde e pude ver, repousando calma e puramente, aquela que seria a protagonista da última valsa.
"Eu quero a morte crua e nua com o seu velório habitual" (Pedro Nava)
Não se morre mais como antigamente.
[por "Elfen Queen", às 0:56]
quinta-feira, 29 de maio de 2008
.: Mesa de Bar 
E ficamos ali, bebendo e ouvindo Maria Bethânia.
eles beberam, eu não.
[por "Elfen Queen", às 21:18]
terça-feira, 15 de abril de 2008
Esses dias eu estava disposta a sumir um pouco. Deletar tudo. Coisas desagradáveis aconteceram em minha vida pessoal e virtual e me fizeram repensar se tudo valia à pena. É impressionante como sempre que alguém me critica ou tenta me mudar, logo recebo a prova de que as coisas são exatamente o contrário. Certas coisas em meu trabalho me provam isso a cada dia e o e-mail que recebi hoje (eu sei que você está lendo) me deixou feliz. Isso me faz acreditar que o destino conspira ao meu favor ou mesmo acreditar na manifestação divina, que tenta incansavelmente me mostrar o quanto eu necessito parar de dar ouvidos a certas demonstrações de pura escrotidão.
Anyway..... Já não é preciso mais me esconder e o que eu tenho a dizer agora é somente um simples obrigada.
* Ah, e há algo que eu preciso divulgar: ASSISTAM A ISSO. (tem a ver com o e-mail que recebi)
[por "Elfen Queen", às 21:01]
terça-feira, 8 de abril de 2008
Ultimamente venho sendo tomada por um desejo estranho. Algo que surge espontaneamente com freqüência e duração crescentes. Gostaria de poder sair às ruas montada em um cavalinho de pau ao som de "The Bitch is Back", do Elton John. Sonho em acordar de manhã, me arrumar e subir no meu cavalinho para ir ao trabalho. Imagino-me chegando e estacionando o "pocotó" do lado de fora e o amarrando em algum toco ou algo similar. Ao descer do quadrúpede eu faria um "joinha" aos presentes e seguiria até minha sala, de onde sairia apenas para tomar um chá ou verificar algum prontuário na recepção. Ao final do expediente daria um tchau a todos e montaria em meu eqüino de rodas. E, quem sabe, ofereceria carona a alguém que, por ventura, estivesse indo para o mesmo lugar que eu: - Hey, pra onde você vai? - Centro. - Então sobe ;) Aí, partiríamos conversando sobre elefantes voadores e psicotrópicos. Simples assim.
"I'm a bitch, i'm a bitch Oh the bitch is back Stone cold sober as a matter of fact I can bitch, i can bitch `cause i'm better than you It's the way that i move The things that i do"
 [Foto de Joel-Peter Witkin]
[por "Elfen Queen", às 21:09]
domingo, 6 de abril de 2008
.: Elfen Queen II :.
Esse é meu blog substituto (para quando o weblogger resolver perecer novamente). Portanto, se eu ficar muito tempo sem aparecer por aqui, vocês sabem onde me encontrar. Já coloquei o endereço ali do lado e se forem me visitar, levem suas próprias bebidas.
www.elfenqueen.blogspot.com.
[por "Elfen Queen", às 21:09]
domingo, 6 de abril de 2008
Não, não mesmo.
e dispenso a exortação.
[por "Elfen Queen", às 20:49]
quinta-feira, 6 de março de 2008
.: Ando me sentindo outra. Ando me sentindo Virgínia. Ando sentindo vontade de repostar isso:
Virgínia acordou naquele dia sentindo uma forte dor de cabeça. Os raios do sol irritavam seus olhos e queimavam seu rosto. Ela se levantou meio confusa, sem lembrar o que havia acontecido na noite anterior. Olhou no relógio. Eram 7 horas da manhã. Aos poucos, Virgínia recobrava seus sentidos e sua consciência. Sentada no banco, percebeu que alguma coisa não estava normal. Sentiu seu coração bater mais forte e sua face suar enquanto um medo fortíssimo dilacerava seu ser. Olhou para os lados e se viu em uma praça desconhecida. Que lugar era aquele? O que ela estava fazendo ali? Como havia chegado? A moça começou a andar pela praça na esperança de tentar lembrar-se do local, mas de nada adiantou. Ela andava cada vez mais rápido, quase correndo. Saiu da praça e se direcionou à rua. Andou mais um pouco e avistou uma senhora lavando a calçada. Uma mulher de estatura baixa, pele clara e cabelo acajú, com as raízes brancas que aparentavam mais ou menos 3 meses que não viam uma tinta. Ela se dirigiu até a senhora: - Por favor, qual o nome dessa rua? - Rua 11 ? respondeu a mulher. Rua 11? Ela não se lembrava de nenhuma rua com aquele nome. Em sua cidade as ruas costumavam ter nomes de gente e não de número. Olhou para a mulher, que já estava entrando em casa e tornou a perguntar: - E o nome desse bairro? - Jardim Liberdade. - Desculpe-me, mas que cidade é esta? A senhora lançou um olhar fulminante para Virgínia e respondeu: - Não estou para brincadeiras, mocinha. Tenho mais o que fazer. Sua mãe deve ter vergonha de ter uma filha drogada perdida por aí. A mulher fechou o portão e entrou em casa. Virgínia então olhou para sua imagem que estava refletida em um Gol cinza estacionado na casa ao lado e percebeu o seu estado. Vestia uma calça xadrez e uma blusa amassada, tinha os cabelos desalinhados e uma aparência cansada que justificava a percepção da senhora. Mas por que ela estava naquele estado? O que acontecera? Ela continuou andando com o objetivo de tentar encontrar as respostas para todas as suas dúvidas. Ao virar a esquina, esbarrou com uma criança que corria pela calçada. Olhando para ela criança: - Ei, menino! Mas ele já estava no meio do quarteirão. Virgínia continuou sua trajetória esperando encontrar alguém. Mais a frente, avistou um homem barbudo vestindo um macacão sujo de graxa. Ele estava abrindo uma oficina. Não tinha dúvidas, aquele homem poderia ajudá-la. - Senhor! O homem virou-se para ela e balançou a cabeça em tom afirmativo. - Bom dia, o senhor poderia me dizer o nome dessa cidade? O homem a olhou de uma forma que lembrou o olhar daquela senhora. Virgínia, logo continuou: - É que eu estou de viagem e peguei carona com um caminhoneiro mal educado que me deixou aqui, mas eu não conheço essa cidade. O homem mudou sua expressão depois daquela explicação e respondeu: - Pois não, estamos em Princípio. Naquele instante, o mundo parou. O que ela estava fazendo em uma cidade chamada Princípio. Seria um sonho? O homem percebeu sua cara de espanto e perguntou se estava tudo bem. Ela respondeu com um semblante assustado: - Sim, estou. Obrigada pela informação. - De nada, moça. Mas vê se toma cuidado com essas caronas, tem muita gente mal intencionada por aí. Virgínia sorriu sem graça e continuou andando. Ela estava muito assustada, não conhecia aquela cidade, não se lembrava de como fora parar ali, de onde morava, quem era. Só sabia o seu nome: Virgínia. Ela andou por mais de duas horas ininterruptas até desmaiar por falta de forças físicas e psicológicas. Quando abriu os olhos, se deparou com um rosto embaçado que, aos poucos, ia tomando formas mais nítidas. Tratava-se da face de uma mulher de meia idade, morena, de aparência humilde e de traços fortes e exóticos. Virgínia olhou ao seu redor e se percebeu deitada em um sofá de curvim marrom, com alguns rasgos que deixavam a espuma aparecer. A mulher então lhe indagou: - Você está melhor? - Mais ou menos. Onde estou? - Em minha casa. Você desmaiou aqui na frente e eu te trouxe para dentro. Vou pegar alguma coisa para você comer. Deve estar com fome. Virgínia deitou a cabeça novamente sobre a almofada enquanto a mulher preparava-lhe um prato de sopa de feijão. - Está aqui. Quentinha, quentinha. - Obrigada. Ela se levantou e comeu vorazmente a sopa acompanhada com um pedaço de pão amanhecido. Ela não gostava de sopa de feijão, mas naquela circunstância até sopa de pedra taparia o vazio em que se encontrava seu estômago. Enquanto se alimentava a mulher lhe fazia perguntas. - Qual o seu nome, mocinha? - Virgínia. - Que nome lindo, minha avó tinha esse nome, sabia? Ela era uma mulher incrível, segundo a minha mãe. Pena que não cheguei a conhecê- l-a. Mas o que aconteceu com você? - Eu não sei, não me lembro como vim parar nessa cidade. Apenas acordei aqui. - É sério isso? Você não se lembra de nada? - Não, só me lembro do meu nome. - Então acho que eu posso te ajudar. Você deve ser a moça do meu sonho. - Sonho? A senhora levantou e se dirigiu a um aposento da casa. Virgínia, assustada e pensativa, depositou o prato em cima de uma mesa de centro. O que aquela mulher estranha quis dizer com a "moça do sonho"? Ela levantou-se rapidamente e sentiu uma tontura. Sentou-se de novo até recuperar as forças. Quando se sentiu melhor, levantou-se devagar e se dirigiu ao aposento em que estava a mulher. Era um quarto em que havia uma cortina brilhante e lilás no lugar da porta. Um pouco apreensiva, ela abriu a cortina e entrou. Para seu espanto, lá estava a mulher vestida com uma roupa que parecia cigana ou de algum outro povo místico. O quarto era escuro, cheio de incensos, velas e objetos esotéricos. Havia uma mesa no centro e um altar no canto esquerdo com imagens de entidades místicas, as quais Virgínia não conhecia. A mulher percebeu sua presença e logo se apresentou: - Bem vinda ao meu lar, Virgínia. Meu nome é Esperanza e você precisa da minha ajuda. Sente-se. Virgínia, muito assustada, sentou-se. Ela estava com medo, mas era como se alguma coisa a fizesse permanecer ali. Era um misto de curiosidade e espanto. A mulher aproximou-se dela, fez uma imposição de mãos sobre sua cabeça e começou a falar: - Não tema menina, estou aqui para te auxiliar nessa provação. Feche os olhos e procure concentrar-se em si mesma. Sinta seu corpo e sua alma. Procure em seu interior o seu verdadeiro eu, sua origem, seu destino. Virgínia começou a relaxar e a sentir como se estivesse flutuando. No mesmo instante algumas lembranças vieram-lhe a mente. Viu sua família, seu passado e lembrou-se da noite anterior. - O que você vê, minha filha? - Perguntou a senhora. - Eu estou no meu quarto, deitada na cama. Estou triste, queria tantas coisas que não posso ter ou não tenho coragem de conseguir. Estou chorando, o quarto está escuro... Adormeço. Perturbada com as lembranças, ela continua: - O dia amanheceu e eu acordei aqui. - Você se lembra de onde você é? - Campo Velho. Isso! Eu sou de Campo Velho. Preciso ligar para casa e pedir para meus pais virem me buscar. Eles devem estar muito preocupados, eles são muito proterores. Ás vezes tenho sonambulismo, mas nunca cheguei a sair de casa desse jeito. Virgínia sai do transe e se levanta eufórica. - Posso usar seu telefone? A mulher acena positivamente com a cabeça e quando a moça tenta pegar o aparelho, ela coloca a mão em cima do mesmo e adverte: - Pode ligar, mas não tenha muitas expectativas. As coisas podem não ser mais como antes. Virgínia não entendeu muito bem o que aquela mulher estava dizendo até porque o desejo de reencontrar sua família falava mais alto e era o que a motivava naquela hora. Ela tirou o telefone do gancho e discou. Foram três toques que mais pareciam uma eternidade tamanha ansiedade que vivia. Uma voz feminina atendeu, era sua mãe. - Alô, quem é? - É a Virgínia. - Que Virgínia? Quem está falando? - interrompeu sua mãe com uma voz ríspida. - A Virgínia, sua filha. - Desculpe, mas a minha filha está aqui comigo neste momento. Virgínia sentiu seu corpo gelar. Como ela poderia estar lá se estava ali? A mulher a olhou com uma cara de "eu avisei" e se retirou. De forma sagaz, Virgínia continuou: - Desculpe-me senhora, mas eu gostaria de falar com a Virgínia. - Ah, me desculpe, eu vou chamá-la ? respondeu a mulher um tanto quanto evergonhada. Depois de alguns segundos uma voz rouca atende ao telefone: - Alô. Virgínia reconheceu: era ela, era a sua voz. Muda e paralizada não conseguia entender mais nada. Enquanto isso, a voz rouca e impaciente insistia do outro lado da linha: - Alô, quem está falando. Ela respirou fundo, tomou coragem e respondeu: - Alô, Virgínia? - Sim, sou eu. - Você está bem? - Sim. Mas que em que está falando? - Você dormiu bem? - Sim. Que brincadeira é essa? Virgínia não sabia o que dizer, sua vontade era explicar tudo, mas diante das circunstâncias ninguém ia acreditar nela. Ela tinha que ter cautela, mas cautela para quê? Conseguiria ela voltar pra casa e enfrentar a nova realidade? Tudo ia ficando mais claro em sua cabeça. Virgínia, mais forte do que nunca, percebeu que era o momento certo para tomar a maior decisão de sua vida. Com uma voz mais segura, respondeu: - Ah, me desculpe. Acho que liguei para o lugar errado ? e desligou o telefone. As coisas haviam mudado e infelizmente ela não teve tempo para se habituar, mas a vida é assim mesmo. Não interessava mais o ?como? e nem o ?porquê?, o que interessava agora era o "para que". Vivendo um momento existencialista de ruptura do comum, Virgínia decidiu seguir seu caminho livre de qualquer coisa que a prendesse em sua jornada pela vida, afinal, era isso o que ela sempre quisera. Ela estava tranqüila, pois sabia que ainda existia uma parte dela em seu outro mundo, o qual havia sido muito importante para ela, mas chegara a hora de se assumir. A mulher retornou à sala e olhando bem no fundo de seus olhos, disse: - Vai. Virgínia sentiu a segurança que lhe faltava, sorriu e acenou a cabeça. Virou as costas e saiu. Andava cada vez mais rápido e sem olhar para trás. Cabelos ao vento, um sol radiante esquentava seu corpo, ela sentia a liberdade a favor do seu corpo em forma de vento. O medo deu lugar à confiança. Estava feliz, ela finalmente havia conseguido o que sempre quis: ganhar o mundo. PS: Trilha sonora ideal para acompanhar este conto: 22 Ghosts III - NIN
[por "Elfen Queen", às 21:32]
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Quanta letargia encontro por aqui. A cada palavra alheia o sentimento do quão pequena esta Rainha se tornou. Coitada! Envaidecida e arrogante, envenenou-se com o próprio orgulho. Agora vive de ilusão. Já foi criativa um dia, hoje é miserável. O bom gosto já não é sinal de talento há muito tempo. Compra de primeira mão e vende por segunda, mas os clientes não reclamam; ao contrário. Arrisca a honra em palavras previsíveis e medíocres. Prostitui as idéias por menos do que valeria seu corpo branco, magro e sem graça. Uma puta! Ela é uma puta. Uma puta que sabe vender o que não tem.
[por "Elfen Queen", às 20:28]
sábado, 23 de fevereiro de 2008
 Hoje
eu estou com soluço
na alma.
[por "Elfen Queen", às 16:55]
sábado, 23 de fevereiro de 2008
:: ISSO NÃO É UM POST DE DESPEDIDA
Ando meio sem tempo para pensar em mim, sem tempo para pensar nos outros e sem tempo para escrever. Acho que já fui melhor em termos de criatividade neste blog. Relendo alguns textos antigos (muitos eu nem me lembrava de ter escrito) percebi o quanto mudei e o quanto continuo a mesma. Pude matar a saudade de antigos visitantes (que, por causa do Weblogger, hoje são apenas um passado apagado), das minhas diferentes formas de escrever durante esses quase três anos de ELFEN QUEEN, dos surtos de insegurança e nostalgia, dos textos engraçados, agressivos e depressivos que iam e vinham paradoxalmente de um dia para o outro. Tendo contato com tudo isso novamente, senti orgulho de mim mesma e também vergonha de me deparar comigo nua em textos que demonstravam o que eu sou e toda minha fragilidade, coisas que sempre tentei esconder mostrando de forma velada. Criei esse blog depois de alguns "probleminhas" na internet com o intuito de ter um espaço só meu, para não precisar agüentar ofensas quando tentava expor meus pontos de vista em outros lugares da web. Reli o primeiro texto, um aviso na verdade. Através desse aviso dei de cara com a Elfen Queen do passado olhando para seu próprio reflexo que, depois de todo esse tempo, continua o mesmo. Eis abaixo o texto que acabo de mencionar:
:: Aviso aos visitantes:
Este blog será um espaço de exposição dos meus pontos de vista, das coisas que eu gosto, das coisas que eu não gosto, de coisas aparentemente sem explicação (portanto não tente entender tudo o que será postado aqui), de coisas que me vêm à mente quase que por geração espontânea ou insigth, das minhas piadas internas (que são muitas), das minhas idéias esdrúxulas e de coisas sem muita importância. Este espaço será "Meu". Nele estará contido todo o meu ego doentio, o qual vocês terão oportunidade de conhecer. Dessa forma, sou eu quem mando aqui (pelo menos aqui...). Como faço muitas coisas sem pensar e mudo meu temperamento com muita freqüência, com certeza apagarei e editarei muitos posts. Mas farei isso não como arrependimento apenas, mas como forma de lapidação do discurso e das idéias. E um dia, como me conheço, diante de alguma frustração, vou deletar este blog sem mais nem menos! E depois vou me arrepender. Mas antes que isso aconteça, vou deixar que vocês se deliciem com a minha maravilhosa inconseqüência!
* Muito prazer, essa continua sendo eu!
[por "Elfen Queen", às 16:52]
domingo, 10 de fevereiro de 2008

Tão frágil que precisa agarrar-se a um amor para esquecer o quão longe de si está. Tomado pelo desassossego, busca contemplar a imagem idealizada daquilo que sonha em ser. Bela e altiva, a coisa amada é o falo que preenche o ser do amador, conferindo-lhe o poder enganador de existir para o mundo. Embriagado pelo fascínio, o amador finge não ser ele mesmo e se espia, contemplando a própria imagem no altar. Tão perto e tão distante, ambos se misturam e confundem-se num só.
"Torna-se amador a coisa amada" (Fernando Pessoa)
[por "Elfen Queen", às 12:29]
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Cansei de pessoas felizes, papinhos inúteis e conversas sem sentido. Cerveja? Hum... não bebo. Me contentaria com um cigarro se eu fumasse. Indiferença, desinteresse, tanto faz. Não quero sair, não tenho msn e nem celular. Não estou pra você nem pra ninguém. Tchau. Beijonãomeliga/
[por "Elfen Queen", às 15:11]
domingo, 20 de janeiro de 2008

Passei um bom tempo tentando me encontrar para descobrir que eu estava bem aqui, parada na minha frente com uma das sobrancelhas levantadas e um olhar de desdém. Anos procurando uma resposta fechada que nunca existiu nem nunca existirá. Essa idéia romântica de se descobrir não existe! Não da forma como pensamos. As coisas são muito mais simples e, por isso, muito mais complicadas do que imaginamos. É só aceitar a realidade. Quanto mais penso sobre mim, mais complicada eu me torno. Contudo, a vida é tão justa que a única pessoa capaz de entender todo esse embaraço sou eu mesma. E se eu me tenho, não preciso de mais ninguém. É tão fácil e por isso tão difícil. Penso que cada vida deve ter um sentido e o sentido da minha está na dualidade, nas contradições, nas complexidades e, conseqüentemente, na dúvida. Na vida material e real não há complicação de fato. O complicado é uma criação nossa. Descobri o sentido da vida e fui convidada a viver. ...Mas com que roupa eu vou?!
[por "Elfen Queen", às 13:55]
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Juvenal era o louquinho da cidade. Desde seu nascimento havia algo de errado com o infante. Ele demorou a firmar a cabeça, demorou a sentar, a andar e a falar. E seus pais demoraram a perceber isso, já que estavam muito ocupados com coisas mais importantes. No primeiro dia de aula de Juvenal veio o diagnóstico da professora: RETARDADO. A professora Francisca era mestre em dar diagnósticos desse tipo, uma especialista! Depois disso vieram as consultas médicas, psicológicas e a bateria de exames que não apontaram nenhuma alteração anatômico-cerebral ou psicofisiológica mas, que de acordo com os examinadores, mesmo assim confirmavam o diagnóstico da professora que colocava mais um caso no seu rol de diagnósticos a olho clínico. Os pais de Juvenal tiveram que aceitar a dura realidade: agora eram os pais do menino retardado que não se enturmava com os coleginhas e não conseguia controlar seus esfíncteres. O menino franzino e corcunda era apontado na rua quando saia com seus pais pelos dedos íntegros e "higienistas" das senhoras de bem da pacata cidade de Retidão dos Passos. Quando saia sozinho (entende-se sair sozinho por abrir o portão e sentar-se na calçada), Juvenal era atingido por pelo menos 5 pedras (isso, em dias de sorte) atiradas pelas crianças limpinhas e educadas, os filhos das senhoras de bem dos indicadores puros. As senhoras de Retidão dos Passos cumpriam brilhantemente seu papel de educadoras, ensinando desde cedo aos seus filhos o que era certo e errado. Juvenal foi crescendo sozinho, ausente fisicamente das outras crianças e emocionalmente de seus pais, que tiveram que conviver com o peso do castigo divino oriundo de uma concepção trágica e irreversível. Mesmo sem freqüentar a escola, o menino estranho de Retidão dos Passos teve acesso a livros e conseguiu aprender a ler e a escrever sozinho. Ele também aprendeu a tocar flauta e violão com a precisão de um músico profissional. Ele passava horas sozinho lendo e tocando, enquanto seus pais passavam o dia todo fora trabalhando para poderem comprar os remédios caros e inúteis de Juvenal. Eles nem mesmo conheciam as habilidades do garoto. Aos 14 anos de idade Juvenal já era um mocinho com características sexuais secundárias, mas seu olhar distante e com ares de estupidez denunciava sua debilidade. Aos 18, ele queria freqüentar a missa como ele via, através das grades da janela de sua casa, todos os moços de sua idade fazer, mas seus pais tinham medo e vergonha de permitir uma afronta dessa à digna sociedade de Retidão dos Passos. No dia em que Juvenal completou 26 anos de idade sua mãe, Dona Margarida, lhe deu um presente inesquecível. Ela se suicidou com uma overdose de remédios por não agüentar o peso de suportar Juvenal e a culpa por não poder dar um filho normal a seu marido. Juvenal não entendeu muito bem o que estava acontecendo quando viu sua mãe estirada no chão com um tom arroxeado e pútrido e seu pai aos berros. Mas ele conseguiu entender bem dois dias depois do funeral, quando seu pai o abandonou na Casa de Higiene Mental da cidade vizinha. Fora a última vez em que pai e filho se viram. Seu Tarcísio nunca foi visitar o filho e Juvenal nunca mais teve notícias do pai, nem mesmo soube que ele se casou novamente três meses depois e que lhe dera dois irmãos saudáveis, limpos e educados. Juvenal passou o resto de sua vida com o corpo presente na Casa de Higiene Mental, ou simplesmente Auschwitz, como muitos denominariam pandegamente. Entretanto, sua mente viajava por lugares e dimensões nunca antes conhecidas. Lá ele encontrou semelhantes e diferentes, repressão e liberdade, tudo ao mesmo tempo. Lá ele pôde entender muitas coisas incompreensíveis à honrada sociedade de sua cidade natal. Juvenal morreu com 45 anos de idade por uma enfermidade chamada "remedinho na comida", que servia para exterminar aqueles cujos parentes sumiam ou quando havia superlotação na instituição. Junto com ele foram mais 16. Chegava ao fim a história de maior vergonha para o decoro da cidade. Dez anos depois, os cidadãos de Retidão dos Passos ficaram sabendo da morte de Juvenal através de uma ex-enfermeira do sanatório. Todos ficaram aliviados e se utilizaram desse excelente exemplo para educar as novas crianças da cidade. Foram desenvolvidos métodos tradicionais de ensino à luz da estória de Juvenal. Alguns desses métodos foram perfeitamente utilizados em frases do tipo: "Se não comer tudo, o Juvenal vai vir te pegar". "Se a mocinha for desonrada, terá um filho como o Juvenal", dentre outras. Até hoje esses métodos educacionais perduram e os pais os executam com maestria, mantendo assim a tradição e o orgulho da cidade.
Essa era a visão de Retidão dos Passos sobre Juvenal. Mas pelo prisma de uma sociedade sem padrões de normalidade, Juvenal seria "classificado" (com o perdão da palavra) como um ser humano "normal" (mais uma vez pedindo perdão pela palavra). Até quando, como aponta Deleuze, vamos espraiar os tentáculos do hospício por toda parte?
[por "Elfen Queen", às 21:49]
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
 "Inspirations have I none-just to touch the flaming doves. All I have is my love of love-and love is not loving".
[David Bowie]
[por "Elfen Queen", às 17:16]
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
((Retrospectiva 2007))
*Baseada na de 2006
- O fotolog e o myspace continuam firmes e fortes. - Continuo movimentando este blog (e agora com leitores fiéis). - Criei um blog sobre o NIN, que está sendo muito visitado (na verdade foram dois, mas o primeiro teve problemas). - Fui convidada para fazer parte de um site brasileiro sobre o NIN (que um dia sai!). - Continuei conhecendo pessoas maravilhosas na internet (e esquisitas também) e experimentei as glórias e as farpas da popularidade. - Finalmente conheci as "Toscana Girls" pessoalmente. - Mudei de cidade (mais uma vez). - Arrumei dois empregos (e, consequentemente, tive que adiar os planos de me mudar para São Paulo). - Continuo esperando por outro show do NIN no Brasil. - Consegui realizar muitas coisas esse ano, descansei de um ano muito estressante que foi o de 2006; e apesar da minha vida social e sentimental não estarem nem um pouco movimentadas, eu estou feliz. Afinal de contas: "I'm NOT confusing love with need".
[por "Elfen Queen", às 12:48]
domingo, 30 de dezembro de 2007
Hey Pig, yeah you!
Sim, é com você mesmo que estou falando. Você que vem sempre aqui, sorrateiramente pensando ser invisível. Você que lê com cuidado cada palavra minha e analisa cada passo meu. Você que faz interpretações equivocadas do que eu digo pelo simples fato de não me conhecer (achando que me conhece). Confesso que você acerta às vezes, mas só às vezes. Você que entra aqui, lê, faz as suas considerações e não tem coragem de ser um inquisidor, sendo ao mesmo tempo (ah...a dialética me excita!). Você que pensa que me entende, mas não entende, pois tudo o que eu escrevo tem um significado incompreendido para outros que não eu. Você que, na verdade, pensa que apenas me odeia (ou coisa do tipo) mas não quer enxergar que me ama ao mesmo tempo. Você que nutre uma admiração e um desprezo intensos e coexistentes por mim e que ainda não se deu conta disso. Você que só continua vindo aqui porque não consegue viver sem essa contradição instigante que minha simples existência te proporciona. É, você..... Você que não é o único.
* Diante das circunstâncias, esse texto merecia ser repostado
[por "Elfen Queen", às 12:40]
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Tenho vários nomes, caos é um deles. Intensidade e inconstância também. Vivo procurando um meio termo que não existe em mim e que talvez nunca existirá, pois sou a encarnação dos extremismos. Transito pelo materialismo e idealismo ao mesmo tempo. Não me decido. Ás vezes numa felicidade insana e sem motivo, ás vezes na mais escura anedonia e outras vezes no mais profundo, por que não dizer, meio termo. Eu já experimentei o extremo do isolamento e da descrença absoluta. Atualmente gozo do limite da convivência e de uma esperança que beira à moléstia. Experimentar os extremos para chegar ao equilíbrio deve ser (e eu espero que seja) o caminho certo. Se a teoria da "Curvatura da Vara" estiver correta, tecnicamente estou no meio do caminho.
[por "Elfen Queen", às 18:15]
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Oi, não comemoro Natal. B-jo e nada de mensagens de amor ou com conteúdo do tipo "Deus te Abençoe", ok?
[por "Elfen Queen", às 15:32]
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Eu sempre fui muito sensível a certas contingências de reforço social, mas experimento o verdadeiro sentido de operação estabelecedora uma vez por mês. Apesar do ego ferido, mantenho meu auto-respeito e a maioria das minhas opiniões.
Como as coisas ficam maiores nessa época, não!?
[por "Elfen Queen", às 18:41]
sábado, 15 de dezembro de 2007
"El Sonido de la Muerte" 
[por "Elfen Queen", às 20:48]
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Eu nunca fui dois. Três então... nem pensar! Ser três deve ser bom, torna a vida muito mais interessante. Mas sou tão um que se fosse três, seria o centro do tripé e, conseqüentemente, voltaria a ser um. Acho que gostaria de ser três para reafirmar a minha condição de um. Quanto a ser dois, bem... só fui dois em devaneios noturnos. Ser um talvez seja uma tentativa de esconder o meu desejo de ser dois. Sou tão um que todas as minhas tentativas frustradas de ser dois fora do delírio tiraram-me o sono e me deixaram mal. A única vez em que fui realmente dois não suportei a idéia de deixar de ser um.
Depois de tudo isso só posso concluir que o resultado dessa equação repleta de incógnitas é exato = = Eu NÃO QUERO deixar de ser somente um e isso DÓI.
[por "Elfen Queen", às 15:42]
sábado, 8 de dezembro de 2007

É impressão minha ou o mundo está mais maleável?
[por "Elfen Queen", às 16:18]
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Não é novidade a minha admiração pela música latina, principalmente pela música com temática política e libertadora. Fico extremamente triste ao ver os comentários desesperançosos, indiferentes e muitas vezes egoístas da maioria das pessoas em relação à situação política e econômica que o mundo enfrenta. Reclama-se da falta de amor, de respeito e de sentimento de coletividade, mas quando alguém demonstra isso publicamente é logo classificada como "romântica", "utópica", "idiota" e vários outros adjetivos criados pelas armadilhas da Ideologia. Pobres seres humanos, tão alienados e tão cegos. Eu me sinto privilegiada por essa temática fazer parte da formação do meu caráter e da minha formação acadêmica. Um curso com formação crítica em uma faculdade pública me chamou a atenção para o que acontece fora do meu mundinho umbilical. Foi uma questão de interesses e postura de vida. No dia em que eu deixar de me emocionar com a vida e me tornar indiferente às injustiças posso me dar como dispensável à humanidade. Entre a felicidade cega e a tristeza melindrosa sem fim, escolhi pela felicidade e pela tristeza que caminham juntas e se apóiam uma na outra. E como alguém que rejeita veementemente o mundo torpe em que vive e se sente na obrigação de tomar para si a responsabilidade que lhe cabe por dever, coloco abaixo uma parte muito pequena da grande história desse admirável ser humano chamado VICTOR JARÁ.
 O último poema de Victor Jara
O dia 11 de setembro de 1973, quando o golpe militar comandado pelo ditador Augusto Pinochet derrubou do poder a Salvador Allende, o compositor e cantor Victor Jará foi preso com outros 600 estudantes na Universidade onde trabalhava. Levado para o Estádio Nacional em Santiago, nesse mesmo dia foi torturado e assassinado pelos militares. Dias depois, sua mulher, Joan Jara, identificou o corpo do poeta, fuzilado e com as mãos amputadas. No estádio, escreveu seu último poema. Introdução de Joan Jara: "... Quando mais tarde me trouxeram o texto do último poema de Víctor, soube que ele queria deixar seu testemunho, seu único meio de resistir ainda ao fascismo, de lutar pelos direitos dos seres humanos e pela paz".
"Somos cinco mil nesta pequena parte da cidade. Somos cinco mil. Quantos seremos no total, nas cidades e em todo o país? Somente aqui, dez mil mãos que semeiam e fazem andar as fábricas. Quanta humanidade com fome, frio, pânico, dor, pressão moral, terror e loucura! Seis de nós se perderam no espaço das estrelas. Um morto, um espancado como jamais imaginei que se pudesse espancar um ser humano. Os outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores um saltando no vazio, outro batendo a cabeça contra o muro, mas todos com o olhar fixo da morte. Que espanto causa o rosto do fascismo! Colocam em prática seus planos com precisão arteira, sem que nada lhes importe. O sangue, para eles, são medalhas. A matança é ato de heroísmo. É este o mundo que criaste, meu Deus? Para isto os teus sete dias de assombro e trabalho? Nestas quatro muralhas só existe um número que não cresce, que lentamente quererá mais morte. Mas prontamente me golpeia a consciência e vejo esta maré sem pulsar, mas com o pulsar das máquinas e os militares mostrando seu rosto de parteira, cheio de doçura. E o México, Cuba e o mundo? Que gritem esta ignomínia! Somos dez mil mãos a menos que não produzem. Quantos somos em toda a pátria? O sangue do companheiro Presidente golpeia mais forte que bombas e metralhas. Assim golpeará nosso punho novamente. Como me sai mal o canto quando tenho que cantar o espanto! Espanto como o que vivo como o que morro, espanto. De ver-me entre tantos e tantos momentos do infinito em que o silêncio e o grito são as metas deste canto. O que vejo nunca vi, o que tenho sentido e o que sinto fará brotar o momento..."
(Victor Jara, Estádio de Chile, Setembro 1973).
Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=25825
[por "Elfen Queen", às 21:06]
domingo, 25 de novembro de 2007

MUDANÇAS EXTRAORDINÁRIAS EM MINHA VIDA. (my world is working, finally...)
[por "Elfen Queen", às 15:47]
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Epístola 10 - A declaração
"Eu te amo". (O destinatário)
É apenas isso o que você tem a me dizer após tanto tempo? Ou melhor, é tudo isso o que tem a me dizer? Uma página contendo apenas três palavras. Três palavras e tanto conteúdo. Vindo de você NESTE MOMENTO imagino a força dessas palavras e imagino que elas não são mais tão concupiscentes quanto antes. Estou certa? Apesar de sentir que estamos na mesma sintonia agora, sua concisão me deixou no vazio, principalmente porque veio depois de vocábulos turbulentos e prolixos. Confirme ou refute minha hipótese. Seja sincero comigo como sou com você, sincero o bastante como sou ao dizer que tive medo, muito medo de não mais receber uma resposta sua por conseqüência da minha sinceridade. Agora me coloco em suas mãos.
A Remetente.
[por "Elfen Queen", às 18:12]
domingo, 11 de novembro de 2007
UNLOCKED ! 
"Sinto saudade de quem vi e de quem não vi" (Han Motta filosofando à la Renato Russo)
Preciso de uma vida diferente com acontecimentos normais. Sim, normais. Daqueles que acontecem e te fazem ter vontade de escrever alguma coisa sobre. Sinto falta do cotidiano imprevisível que leio nos textos alheios. O meu cotidiano é tão cotidiano. Preciso de algo real. Preciso colocar a cabeça no travesseiro e rir de coisas que aconteceram, mas para isso eu preciso que elas aconteçam de fato. Como vou contar histórias sobre bebidas, cigarros, café e sexo (porque as histórias sobre bebidas, cigarros, café e sexo são as melhores) se não bebo, não fumo, não tomo café e não....ah, deixa para lá! Preciso de uma vida real. Preciso ser um ser humano e deixar de ser substituível. Preciso deixar de precisar as coisas e assassinar esse meu perfeccionismo que me torna exigente e insatisfeita e faz da minha vida essa grande fantasia que só existe em uma página da web. Preciso de tudo isso, só não preciso de comentários piedosos nem de conselhos. Esse não é o caso.
[por "Elfen Queen", às 22:45]
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
"Esperando pela Grande Abóbora"

Lidar com a incontrolabilidade é o mesmo que esperar eternamente pela Grande Abóbora. Eu vivo eternamente escondida no meio de uma plantação de seres humanos com a esperança de vê-la, mas só o que consigo é enxergar desamparo em forma de espantalho.
HAPPY HALLOWEEN!
[por "Elfen Queen", às 12:04]
domingo, 21 de outubro de 2007
Locked! A cada porta ou gaveta que abro vejo uma Camila. Por isso resolvi deixar todas as portas e gavetas fechadas. Espero que algumas Camilas morram sem ar ou de inanição e que outras sobrevivam. Não esperem gavetas escancaradas por aqui tão cedo.
"... Tried to save myself, but myself keeps slipping away" (Into the Void - NIN)
[por "Elfen Queen", às 22:29]
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Conceitos do dia:
FALSA HUMILDADE, IRONIA E SARCASMO COMO DEFESA.
Preciso trabalhar isso melhor.
[por "Elfen Queen", às 12:15]
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
"Please, don't let them make me a monkey butler".
[por "Elfen Queen", às 20:43]
segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Ando meio distante de mim ultimamente. Atrás do biombo tudo é sombra e a realidade é apenas sugestão.
[por "Elfen Queen", às 17:00]
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
:: VERDADES E MENTIRAS SOBRE "ELFEN QUEEN" (algumas coisinhas interessantes sobre a dona do bordel)
- desenhava bicicletas voadoras compulsivamente quando criança - VERDADE - já dei aulas de moral cristã para criancinhas - VERDADE - o boato sobre eu ser lésbica - MENTIRA - me fantasiei de macaco e desfilei em um carro alegórico que despencou no meio da rua - VERDADE - já dei entrevistas para a TV - VERDADE - fui jurada de um concurso de sósias do Boy George - MENTIRA - quase fiz parte de uma fanfarra tocando tuba - VERDADE - já subi em um palco - VERDADE - já fui tirada de um palco - VERDADE - já fugi com o circo - MENTIRA - já fui cangaceira no teatro - VERDADE - já fui Frank-N-Furter no teatro - MENTIRA - por causa do tamanho avantajado do meu clitóris, fui criada como menino até os cinco anos - VERD.... MENTIRA
[por "Elfen Queen", às 20:03]
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Se o orgulho sempre foi meu maior defeito, a empatia tornou-se a minha maior qualidade. Qualidade essa que vem se desenvolvendo cada vez mais a partir das minhas experiências (que foram poucas, mas intensas e significativas). Parece incoerente ter em si duas características tão diferentes em um grau tão grande de intensidade. Mas a questão é que essa empatia acaba equilibrando meu orgulho e trazendo cada vez mais a humildade que me falta para reconhecer os meus limites. Depois de defecar todas as minhas infelicidades e imperfeições aqui, esse fica sendo um grande passo na minha existência e a prova real de que a mudança é possível. Hoje posso dizer que sou menos orgulhosa e tenho humildade. Humildade suficiente para admitir que não sou a dona da verdade. E nem você.
[por "Elfen Queen", às 21:30]
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Observar a vida passivamente esperando os dias passarem como numa reprise eterna de um filme com final conhecido. Inexorável final que nunca chega. Espera que aumenta a agonia de saber que a vida se perde a cada dia. Lembranças de expectativas felizes que nunca se concluíram dão lugar à realidade austera e implacável da responsabilidade do ser pela sua existência. Acusar os outros amenizando a própria culpa por ter escolhido simplesmente sobreviver. Fechar-se ao mundo, fugindo de si mesmo e de sua essência, negando a consciência e anulando o ser vivente é escolha fatídica. Morte em vida.
[por "Elfen Queen", às 17:08]
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Irrita-me qualquer tipo de pensamento extremamente linear e inflexível. Nesse mundo instável e dinâmico é quase suicídio não considerar a totalidade das coisas. A intransigência no campo das idéias funciona como urticárias para a minha pele hegeliana que rejeita toda essa intolerância e pseudoconcreticidade cega. Pensamentos cristalizados por certezas desprovidas de empatia e distanciamento dos fenômenos me causam coceira. Análises simplistas e discursos repletos de frases feitas só servem para camuflar uma cegueira orgulhosa e digna de pena. Pobres almas que se matam por suas próprias idéias. O concreto não é o que parece. E se basear nas aparências é um dos maiores erros que alguém pode cometer. O real é contraditório. Sim, ele é... não sendo.
[por "Elfen Queen", às 21:36]
terça-feira, 11 de setembro de 2007
É impressionante como as coisas acontecem na minha vida atingindo exatamente meu ponto mais fraco: o orgulho. Essa minha dificuldade em lidar com críticas (na verdade, uma dificuldade em simplesmente ignorar as críticas) e a paranóia em absorver todo o mal do mundo está me consumindo e acabando com o meu apetite. Isso só me faz ter certeza de uma coisa: o mal está em mim. Sou eu quem o atraio e me anulo, matando toda a minha unicidade. Ei, eu não preciso fazer coisas grandiosas só para mostrar para o mundo como eu sou digna. Aliás, eu não preciso criar nenhuma necessidade para atender às necessidades dos outros. Eu preciso mesmo é relaxar tomando um bom copo de leite gelado com biscoitos numa noite quente do Alabama ao som de Leonard Cohen. E sozinha! Até porque é difícil de encontrar companhia tomando leite com biscoitos em vez uísque com cigarros. Pois bem, em um mundo repleto de diagnósticos e classificações nosológicas, eu descobri que o meu problema é o ?complexo de esponja?, o grande responsável por potencializar a conversão de mágoas e inseguranças em tumores e por eu ter escrito esse monte de baboseiras.
Leite com biscoitos no Alabama... vejam só!
[por "Elfen Queen", às 21:37]
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Há pessoas que nascem para aplaudir, outras para serem aplaudidas e há aquelas que nascem para levar vaias e tomates na cara quando se pronunciam.
...Bem, não deve ser muito difícil inferir a qual grupo pertenço.
[por "Elfen Queen", às 21:38]
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