sexta-feira, 6 de junho de 2008
- Ela está naquele estado de espírito - disse a Rainha Branca - De negar alguma coisa - só que ela não sabe o que negar. [Visitem o Elfen Queen II]
[por "Elfen Queen", às 20:29]
segunda-feira, 26 de maio de 2008
"Alguém afirmou uma vez que de toda gente que conhecia só havia uma que não contava piadas porcas - era eu. Quanto a ti, quer sejas juiz ou chefe da polícia, conheço as tuas piadas porcas e sei de onde vêm, de modo que é melhor não abrires a boca".
Escuta, Zé Ninguém! - Willhelm Reich
[por "Elfen Queen", às 19:48]
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Eis aqui a defesa do talvez mais cruel de todos os agentes de punição: o torturador e o carrasco.
Por Joseph De Maistre
"Um sinal sombrio é dado: um servil oficial de justiça bate à sua porta e informa que o mandaram buscar; ele se apronta e chega à praça pública, que está repleta com uma multidão ávida e excitada. Um prisioneiro ou um assassino ou um blasfemador lhe é entregue. Agarra-o, estende-o e o amarra numa cruz horizontal, ergue o braço e terrível silêncio se faz. Nada se ouve a não ser o clamor dos ossos estalando sob a pesada haste e os urros da vítima. Então ele o desamarra e o conduz à roda, os membros partidos são contorcidos nos raios, a cabeça pende; o cabelo se desalinha, e da boca, escancarada como um fogão, saem agora apenas poucas palavras sangrentas que, em intervalos, clamam pela morte. Agora o carrasco terminou seu trabalho; seu coração bate, mas é de alegria; ele se vangloria e diz de todo coração: 'Ninguém é melhor na roda do que eu'. Desce e ergue sua mão manchada de sangue, e a Justiça lhe joga à distância alguns pedaços de ouro que leva consigo através de uma ala dupla de pessoas, que se afastam horrorizadas. Senta-se à mesa e come, deita-se e dorme. Ao acordar, no dia seguinte, pensa sobre coisas totalmente diferentes do trabalho realizado no dia anterior... Toda grandeza, todo poder, toda disciplina fica canalizada no carrasco. É o horror da sociedade humana e o vínculo que a une. Tirem do mundo este agente incompreensível e, nesse exato momento, a ordem dará lugar ao caos, os tronos ruirão e a sociedade se dissipará. Deus, que é a fonte de toda sabedoria, também é a fonte do castigo".
Comentário de B. F. Skinner, em "O mito da liberdade", a respeito do trecho acima: " Embora existam melhores caminhos, as literaturas da liberdade e dignidade não os indicam".
Brilhante! [Visitem o Elfen Queen II]
[por "Elfen Queen", às 21:37]
segunda-feira, 14 de abril de 2008
"É por isso que tenho medo de ti, Zé Ninguém, um medo sem limites. Porque é de ti que depende o futuro da humanidade. E tenho medo de ti porque não existe nada a que mais fujas do que a encarar-te a ti próprio. Estás doente, Zé Ninguém, muito doente, embora a culpa não seja tua. Mas é a ti que cabe libertar-te da tua doença. Já há muito terias derrubado os teus verdadeiros opressores se não tolerasses a opressão e não a apoiasses tu próprio. Nenhuma força policial do mundo poderia prevalecer contra ti próprio na tua vida quotidiana, se tivesses a profunda convicção de que, sem o teu esforço, a vida sobre a terra não seria possível por nem uma hora a mais. Será que o teu libertador te disse? Qual quê! Chama-te Proletário do Mundo, mas não te dizem que tu, e só tu, és responsável pela tua vida (em vez de seres responsável pela honra da pátria)".
[Escuta, Zé Ninguém! - Willhelm Reich]
[por "Elfen Queen", às 14:48]
segunda-feira, 24 de março de 2008
"A porta estava entreaberta; eles entraram. - John! Do quarto de banho veio um ruído desagradável e característico. - Está sentindo alguma coisa? - gritou Helmholtz. Não houve resposta. O ruído desagradável repetiu-se por duas vezes. Fez-se silêncio. Depois, com um estalido, a porta do banheiro abriu-se e, muito pálido, o Selvagem apareceu. - Que é isso John? - exclamou Helmholtz com solicitude. - Você está mesmo com ar de doente! - Comeu alguma coisa que não lhe fez bem? - perguntou Bernard. O Selvagem fez um sinal afirmativo. - Comi a civilização. - O quê? - Ela me envenenou; fiquei contaminado. - E acrescentou em voz baixa: - Engoli minha própria perversidade".
[Aldous Huxley - Admirável Mundo Novo]
[por "Elfen Queen", às 21:59]
quinta-feira, 29 de maio de 2008
.: EXTREMA PERFEIÇÃO :.
Há algum tempo eu postei neste blog que havia ganhado um presente de um grande amigo. Ele escreveu um conto (Kamille) e o dedicou a mim. Fiquei muito surpresa, já que tínhamos pouco tempo de amizade e mesmo assim consegui causar-lhe algum tipo de inspiração. O motivo por eu "ressuscitar" essa história é que este conto foi publicado em um livro intitulado Extrema Perfeição, juntamente com outros contos. Recebi meu exemplar há pouco tempo (foto) e fiquei muito feliz com as dedicatórias feitas pelo autor, como ele havia me prometido que faria. Junto com o livro veio uma carta que me deixou emocionada e me fez admirar ainda mais o talento desse grande artista e a simpatia e consideração desse grande ser humano chamado Frodo Oliveira. Seu jeito de escrever me encanta, assim como a maneira com que ele lida com as palavras.
Li o livro em apenas uma manhã. Foi uma leitura envolvente que me fez rir, me sentir empolgada, revoltada, satisfeita com o gosto alheio da vingança e, é claro, orgulhosa por ter feito parte dessa grande realização pessoal e profissional de uma pessoa que gosto e admiro tanto.
Parabéns meu amigo, este livro é a recompensa merecida, fruto de um ótimo trabalho, que certamente será o primeiro de muitos que virão. E fico aguardando as próximas aventuras vampirescas de Kamille, como você novamente me prometeu!
>> Compre o livro por este site, ou encomende diretamente do autor. 
[por "Elfen Queen", às 21:24]
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Estou tomando soma com o Huxley todos os dias e está sendo incrível.
"Com um cm cúbico se curam 10 cm lúgubres"
Você não acha fantástico? Não? Então é por causa do álcool que lhe puseram no pseudo sangue. Estou certa disso. 
[por "Elfen Queen", às 21:28]
sábado, 2 de fevereiro de 2008

"Até mesmo o esperar por um novo prazer Não seja amesquinhado em crítica mordaz Ardente inspiração em meu peito, a sofrer Com tantas amarguras dum viver sem paz, E quando a noite chega, ainda estou ansioso, Com angústia a estender-me em meu áspero leito. Mesmo aí nenhuma paz jamais posso obter"
(Goethe, Sofrimentos do jovem Werther)
[por "Elfen Queen", às 16:53]
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
- Eu queria propor-lhe uma troca de idéias... - Deus me livre!
(Mário Quintana)
* Hoje estou assim. Não quero.
[por "Elfen Queen", às 20:54]
sábado, 12 de janeiro de 2008

"Porque há direito ao grito. Então eu grito." (Clarice Lispector - A Hora da Estrela)
E você, grita?
[por "Elfen Queen", às 11:23]
sábado, 22 de dezembro de 2007
"Roteiro do Silêncio" - Hilda Hilst (Sonetos que não são)
Tenho te amado tanto e de tal jeito Como se a terra fosse um céu de brasa. Abrasa assim de amor todo meu peito Como se a vida fosse vôo e asa Iniciação e fim. Amo-te ausente Porque é de ausência o amor que se pressente. E se é que este arder há de ser sempre Hei de morrer de amor nascendo em mim. Que mistério tão grande te aproxima Deste poeta irreal e sem magia? De onde vem este sopro que me anima A olhar as coisas com o olhar que as cria? Atormenta-me a vida de poesia De amor e medo e de infinita espera. E se é que te amo mais do que devia Não sei o que se deva amar na terra.
[por "Elfen Queen", às 14:29]
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo".
(Hermann Hesse)
[por "Elfen Queen", às 18:46]
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Não é novidade a minha admiração pela música latina, principalmente pela música com temática política e libertadora. Fico extremamente triste ao ver os comentários desesperançosos, indiferentes e muitas vezes egoístas da maioria das pessoas em relação à situação política e econômica que o mundo enfrenta. Reclama-se da falta de amor, de respeito e de sentimento de coletividade, mas quando alguém demonstra isso publicamente é logo classificada como "romântica", "utópica", "idiota" e vários outros adjetivos criados pelas armadilhas da Ideologia. Pobres seres humanos, tão alienados e tão cegos. Eu me sinto privilegiada por essa temática fazer parte da formação do meu caráter e da minha formação acadêmica. Um curso com formação crítica em uma faculdade pública me chamou a atenção para o que acontece fora do meu mundinho umbilical. Foi uma questão de interesses e postura de vida. No dia em que eu deixar de me emocionar com a vida e me tornar indiferente às injustiças posso me dar como dispensável à humanidade. Entre a felicidade cega e a tristeza melindrosa sem fim, escolhi pela felicidade e pela tristeza que caminham juntas e se apóiam uma na outra. E como alguém que rejeita veementemente o mundo torpe em que vive e se sente na obrigação de tomar para si a responsabilidade que lhe cabe por dever, coloco abaixo uma parte muito pequena da grande história desse admirável ser humano chamado VICTOR JARÁ.
 O último poema de Victor Jara
O dia 11 de setembro de 1973, quando o golpe militar comandado pelo ditador Augusto Pinochet derrubou do poder a Salvador Allende, o compositor e cantor Victor Jará foi preso com outros 600 estudantes na Universidade onde trabalhava. Levado para o Estádio Nacional em Santiago, nesse mesmo dia foi torturado e assassinado pelos militares. Dias depois, sua mulher, Joan Jara, identificou o corpo do poeta, fuzilado e com as mãos amputadas. No estádio, escreveu seu último poema. Introdução de Joan Jara: "... Quando mais tarde me trouxeram o texto do último poema de Víctor, soube que ele queria deixar seu testemunho, seu único meio de resistir ainda ao fascismo, de lutar pelos direitos dos seres humanos e pela paz".
"Somos cinco mil nesta pequena parte da cidade. Somos cinco mil. Quantos seremos no total, nas cidades e em todo o país? Somente aqui, dez mil mãos que semeiam e fazem andar as fábricas. Quanta humanidade com fome, frio, pânico, dor, pressão moral, terror e loucura! Seis de nós se perderam no espaço das estrelas. Um morto, um espancado como jamais imaginei que se pudesse espancar um ser humano. Os outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores um saltando no vazio, outro batendo a cabeça contra o muro, mas todos com o olhar fixo da morte. Que espanto causa o rosto do fascismo! Colocam em prática seus planos com precisão arteira, sem que nada lhes importe. O sangue, para eles, são medalhas. A matança é ato de heroísmo. É este o mundo que criaste, meu Deus? Para isto os teus sete dias de assombro e trabalho? Nestas quatro muralhas só existe um número que não cresce, que lentamente quererá mais morte. Mas prontamente me golpeia a consciência e vejo esta maré sem pulsar, mas com o pulsar das máquinas e os militares mostrando seu rosto de parteira, cheio de doçura. E o México, Cuba e o mundo? Que gritem esta ignomínia! Somos dez mil mãos a menos que não produzem. Quantos somos em toda a pátria? O sangue do companheiro Presidente golpeia mais forte que bombas e metralhas. Assim golpeará nosso punho novamente. Como me sai mal o canto quando tenho que cantar o espanto! Espanto como o que vivo como o que morro, espanto. De ver-me entre tantos e tantos momentos do infinito em que o silêncio e o grito são as metas deste canto. O que vejo nunca vi, o que tenho sentido e o que sinto fará brotar o momento..."
(Victor Jara, Estádio de Chile, Setembro 1973).
Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=25825
[por "Elfen Queen", às 21:06]
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Comecei a sair com B.F. Skinner há algum tempo. Mas confesso que seu "papinho" não me agradou muito. Até Joe Hill, o último com quem saí, me proporcionou momentos mais emocionantes - apesar de ele não ser tão encantador quanto seu pai (ele deve odiar esse tipo de comparação!). O Skinner costumava me encantar como teórico, mas me decepcionou um pouco como contador de histórias. Claro que saímos apenas algumas noites, mas como o começo não foi tão bom com quanto minha expectativa para esse encontro, decidi dar um tempo. Estou sozinha agora. Sinto que preciso me resolver com Skinner antes de sair com outro. Eu amo o Skinner e é com ele que pretendo me casar, mas conheci um lado muito maçante deste homem que me desanimou, sabe. Foi como descobrir que ele transa de meia ou que prefere passar a noite jogando gamão. E olha que eu sou do tipo que se excita com discursos sobre contingências e condicionamento operante. Estamos dando um tempo, mas pretendo voltar a falar com ele, talvez essa noite nos encontremos e espero que ele seja mais agradável do que nas últimas vezes porque Aldous Huxley me ligou e eu pretendo sair com ele.
[por "Elfen Queen", às 12:03]
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
A um epilético
Perguntarás quem sou?! - ao suor que te unta, À dor que os queixos te arrebenta, aos trismos Da epilepsia horrenda, e nos abismos Ninguém responderá tua pergunta!
Reclamada por negros magnetismos Sua cabeça há de cair, defunta Na aterradora operação conjunta Da tarefa animal dos organismos!
Mas após o antropófago alambique Em que é mister todo o teu corpo fique Reduzido a excreções de sânie e lodo,
Como a luz que arde, virgem, num monturo, Tu hás de entrar completamente puro Para a circulação do Grande Todo!
(Augusto dos Anjos)
[por "Elfen Queen", às 14:49]
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
ANIVERSÁRIO
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu era feliz e ninguém estava morto. Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma, De ser inteligente para entre a família, E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo, O que fui de coração e parentesco. O que fui de serões de meia-província, O que fui de amarem-me e eu ser menino, O que fui ? ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui... A que distância!... (Nem o acho... ) O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa, Pondo grelado nas paredes... O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), O que eu sou hoje é terem vendido a casa, É terem morrido todos, É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ... Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, Por uma viagem metafísica e carnal, Com uma dualidade de eu para mim... Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, O aparador com muitas coisas ? doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado, As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .
Pára, meu coração! Não penses! Deixa o pensar na cabeça! Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus! Hoje já não faço anos. Duro. Somam-se-me dias. Serei velho quando o for. Mais nada. Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
(Álvaro de Campos)
[por "Elfen Queen", às 13:11]
domingo, 7 de outubro de 2007
"Começo a conhecer-me. Não existo".
Começo a conhecer-me. Não existo. Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, ou metade desse intervalo, porque também há vida ... Sou isso, enfim ... Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. É um universo barato.
[Álvaro de Campos]
[por "Elfen Queen", às 1:06]
sábado, 29 de setembro de 2007
"A DIALÉTICA DO MUNDO ME ABRAÇA" - Laeticia Jensen Eble
A dialética do mundo me abraça. Não alcanço a razão do dia, nem o mistério da noite.
Do pó da criação ao pó que na terra deitará tudo se transforma e se justifica. Somos um só corpo a respirar o breve sopro da existência eterna. Só o destino nos une ao futuro. E nosso destino é viver o presente, síntese do que foi e do que será.
A escuridão e a luz movem, como alavancas indissociáveis, esse imenso ser em contínuo duelo. O preto e o branco O quente e o frio O mais e o menos O céu e a terra O tudo e o nada O som e o silêncio O nascer e morrer Olhar e não ver Estar e não ser São instâncias da mesma realidade. A harmonia se impõe na superação dos limites.
[por "Elfen Queen", às 20:05]
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Lembro-me de ler Álvares de Azevedo exaustivamente na adolescência. Naquela época tudo parecia tão sério para mim. Eu lia, sentia e até chorava. Sempre fui efusiva demais. Intensa. Hoje acho engraçados os sentimentos que tal poeta me causava. Mas mesmo assim, ele continua sendo um dos meus favoritos.
UM CADÁVER DE POETA - Álvares de Azevedo
"Levem ao túmulo aquele que parece um cadáver! Tu não pesaste sobre a terra: a erra te seja leve!" (L. UHLAND.)
I
De tanta inspiração e tanta vida Que os nervos convulsivos inflamava E ardia sem conforto... O que resta? uma sombra esvaecida, Um triste que sem mãe agonizava... Resta um poeta morto!
Morrer! e resvalar na sepultura, Frias na fronte as ilusões ? no peito Quebrado o coração! Nem saudades levar da vida impura Onde arquejou de fome... sem um leito! Em treva e solidão!
Tu foste como o sol; tu parecias Ter na aurora da vida a eternidade Na larga fronte escrita... Porém não voltarás como surgias! Apagou-se teu sol da mocidade Numa treva maldita!
Tua estrela mentiu. E do fadário De tua vida a página primeira Na tumba se rasgou... Pobre gênio de Deus, nem um sudário! Nem túmulo nem cruz! Como a caveira Que um lobo devorou!...
II
Morreu um trovador ? morreu de fome. Acharam-no deitado no caminho: Tão doce era o semblante! Sobre os lábios Flutuava-lhe um riso esperançoso. E o morto parecia adormecido. Ninguém ao peito recostou-lhe a fronte Nas horas da agonia! Nem um beijo Em boca de mulher! nem mão amiga Fechou ao trovador os tristes olhos! Ninguém chorou por ele... No seu peito Não havia colar nem bolsa d'oiro; Tinha até seu punhal um férreo punho... Pobretão! não valia a sepultura!
Todos o viam e passavam todos. Contudo era bem morto desde a aurora. Ninguém lançou-lhe junto ao corpo imóvel Um ceitil para a cova!... nem sudário!
O mundo tem razão, sisudo pensa, E a turba tem um cérebro sublime! De que vale um poeta ? um pobre louco Que leva os dias a sonhar ? insano Amante de utopias e virtudes E, num tempo sem Deus, ainda crente?
(...)
[por "Elfen Queen", às 14:49]
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
:: Poemas aos Homens do nosso tempo
Amada vida, minha morte demora. Dizer que coisa ao homem, Propor que viagem? Reis, ministros E todos vós, políticos, Que palavra além de ouro e treva Fica em vossos ouvidos? Além de vossa RAPACIDADE O que sabeis Da alma dos homens? Ouro, conquista, lucro, logro E os nossos ossos E o sangue das gentes E a vida dos homens Entre os vossos dentes.
***********
Ao teu encontro, Homem do meu tempo, E à espera de que tu prevaleças À rosácea de fogo, ao ódio, às guerras, Te cantarei infinitamente à espera de que um dia te conheças E convides o poeta e a todos esses amantes da palavra, e os outros, Alquimistas, a se sentarem contigo à tua mesa. As coisas serão simples e redondas, justas. Te cantarei Minha própria rudeza e o difícil de antes, Aparências, o amor dilacerado dos homens Meu próprio amor que é o teu O mistério dos rios, da terra, da semente. Te cantarei Aquele que me fez poeta e que me prometeu
Compaixão e ternura e paz na Terra Se ainda encontrasse em ti, o que te deu.
(Hilda Hilst)
[por "Elfen Queen", às 20:02]
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
SIMPLESMENTE SEJA! - Laeticia Jensen Eble
"A verdade é a coesão interna das coisas" (Raimundo Panikar, sobre o Dharma)
Quer sentir o que sinto, como sinto agora, esqueça as palavras! Rasgue este papel em pedaços, rasgue com vontade! E os pedaços - rasgue-os de novo, e de novo, e de novo. Pegue entre os dedos o menor fragmento que restar Olhe para ele, sinta-o, admire-o, sinta-se nele, e quando enfim já estiver apegado a ele, erga seus olhos mirando o infinito celeste, e por um breve momento entregue-se, seja para o Universo como esse minúsculo fragmento é para a folha que o originou. Um pedaço, ainda que rasgado, que contém em si toda a verdade da folha.
[por "Elfen Queen", às 22:13]
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Observar a vida passivamente esperando os dias passarem como numa reprise eterna de um filme com final conhecido. Inexorável final que nunca chega. Espera que aumenta a agonia de saber que a vida se perde a cada dia. Lembranças de expectativas felizes que nunca se concluíram dão lugar à realidade austera e implacável da responsabilidade do ser pela sua existência. Acusar os outros amenizando a própria culpa por ter escolhido simplesmente sobreviver. Fechar-se ao mundo, fugindo de si mesmo e de sua essência, negando a consciência e anulando o ser vivente é escolha fatídica. Morte em vida.
[por "Elfen Queen", às 17:08]
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